A matemática da sensibilidade do mouse: cm/360, eDPI e por que os pros recalibram
O que 'sensibilidade' realmente significa
Abra o menu de configurações do mouse e você verá um único controle deslizante chamado sensibilidade, mas esse número sozinho é quase sem sentido. Uma sensibilidade de 2.0 em um jogo pode girar sua visão duas vezes mais rápido, pela metade, ou quase igual a 2.0 em outro, porque cada motor multiplica o deslizador pela sua própria constante oculta. Some o DPI (pontos por polegada) do próprio mouse, e dois jogadores que dizem 'jogar em 2.0' podem ter miras radicalmente diferentes.
Para comparar configurações ou levá-las de um jogo a outro você precisa de unidades que removam essas variáveis ocultas. Duas unidades fazem isso: eDPI e cm/360.
eDPI: comparar dentro de um jogo
O eDPI ('DPI efetivo') é simplesmente o DPI do seu mouse multiplicado pela sua sensibilidade no jogo. Um jogador com 800 DPI e 0.5 de sensibilidade tem um eDPI de 400 — exatamente igual a um com 400 DPI e 1.0 de sensibilidade. Ambos movem a mira o mesmo tanto com o mesmo movimento de mão, ainda que seus números crus pareçam diferentes.
O eDPI é a ferramenta certa quando você quer comparar a sua sensibilidade com a de um colega ou de um pro dentro do mesmo jogo. Não é um número entre jogos: como cada motor aplica seu próprio multiplicador, um eDPI de 400 em um shooter não produz a mesma velocidade de giro que 400 em outro. O eDPI normaliza o DPI, mas não o motor.
cm/360: a única unidade realmente entre jogos
O cm/360 mede a distância física — em centímetros — que o seu mouse precisa percorrer para girar a visão 360 graus completos. É a unidade de sensibilidade mais honesta porque descreve algo real e físico, independente da matemática interna de qualquer jogo. Um cm/360 menor significa mais sensibilidade (você se vira com um pequeno tranco); um cm/360 maior significa menos sensibilidade (você precisa de um arrasto mais longo).
Por ser medido em distância real, o cm/360 é a unidade que se transfere entre jogos. Se dois jogos forem ajustados ao mesmo cm/360, um flick de 180 graus se sente idêntico nos dois, não importa seus deslizadores de sensibilidade ou DPI. Como padrão geral, jogadores competitivos tendem a sensibilidades mais baixas (cm/360 maior) que os casuais, porque arrastos longos dão controle mais fino para mirar com precisão — embora o valor exato seja um ajuste pessoal, não um número mágico.
A matemática da conversão
A cadeia do movimento da mão até a rotação na tela é: distância física, depois contagens (definidas pelo DPI), depois graus (definidos pela sensibilidade no jogo e o escalar interno do motor). Para manter a mesma sensação entre dois jogos você mantém o cm/360 constante e resolve para a nova sensibilidade. Na prática isso significa: ao trocar de jogo você não copia o número de sensibilidade — você o converte para que o cm/360 físico continue o mesmo.
A variável que faz as pessoas tropeçarem é a constante de rotação interna de cada motor, muitas vezes chamada de yaw. Dois jogos com DPI idêntico e deslizadores de sensibilidade idênticos ainda podem ter cm/360 diferentes porque o yaw difere. É por isso que um conversor dedicado importa: ele considera o escalar de cada jogo para que sua memória muscular sobreviva à mudança. A calculadora de sensibilidade deste site faz exatamente isso.
Por que os pros recalibram
Mirar é memória muscular construída em torno de um cm/360 específico. Seu cérebro aprende que um tranco de certa distância física gira a visão certa quantidade. Qualquer coisa que quebre esse mapeamento força uma recalibração: um jogo novo (yaw diferente), um mouse novo (sensor ou passo de DPI diferente), um mousepad ou espaço de mesa diferente, ou até uma mudança na distância ao monitor e no campo de visão (FOV), que altera quanto movimento na tela uma dada rotação produz.
É por isso que profissionais são conservadores ao mudar configurações e deliberados quando mudam. Eles travam um cm/360, jogam milhares de horas com ele e só reajustam por um motivo concreto. Quando mudam — digamos, baixar a sensibilidade para firmar a mira — tratam como uma calibração nova: baixam o valor, depois treinam exercícios de mira até a nova distância ficar automática. A lição para todos os outros é que a consistência vence o número específico. Uma sensibilidade mediana que você internalizou por completo vai mirar melhor que uma 'perfeita' que você trocou ontem.
Conclusões práticas
Meça o seu cm/360 e anote. É o único número que vale a pena saber; DPI e sensibilidade no jogo são só dois jeitos de alcançá-lo.
Converta por cm/360, nunca pelo deslizador. Ao pegar um jogo novo, iguale a distância física, não o número na tela.
Desligue a aceleração do mouse. A aceleração torna o mapeamento de distância para rotação não linear, então o mesmo tranco dá um giro diferente conforme a velocidade — o inimigo da memória muscular. Verifique tanto o sistema operacional quanto a configuração no jogo.
Não copie o valor exato de um pro. O cm/360 dele combina com o comprimento do braço, a pegada e a mesa dele. Use como faixa inicial e adapte ao seu espaço.
Recalibre de propósito, não por acidente. Após qualquer mudança de hardware, jogo ou FOV, conte com um curto período de ajuste e treine-o deliberadamente em vez de brigar com ele no meio da partida.